Demasiado curto. O caminho de Oliveira a Travanca.
É quando começo a chegar aos Espíritos que as ideias se sentam no lado do pendura.
Quase sempre passo pela rotunda do bombeiro com o banco de trás cheio de pensamentos a saltitar. Teimam em não colocar o cinto. Teimam em berrar-me aos ouvidos, puxar o cabelo, tapar os olhos... E eu, qual cautelosa e boa condutora, mando-os acalmar, sentar nas cadeiras de criança e reproduzir uma qualquer melodia agradável. E eles obedecem.
De quando a quando olho para o retrovisor para me certificar que vão entretidos, serenos.
Chegando à zona do Desvio reduzo a marcha, paro o carro. Peço-lhes que, agora crescidos, ocupem o lugar da frente.
E eles obedecem.
Iniciamos então a conversa - que quase sempre dura até à porta da garagem.
Chegados a casa: eu vou para o meu quarto, eles ficam no carro.
Não sei bem porquê deixá-los no carro.
Quase nunca, quase sempre - infindável a conversa.
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