Quando se começa uma relação amorosa aos catorze anos entra-se nela a pés juntos, de para-quedas, a deslizar! Não se tem a mínima ideia do que se quer para uma relação, do que se quer de uma pessoa. É tão simples como experimentares dar uns beijos na boca a um amigo mais próximo e repetir esse ritual um mês, dois meses, um ano, três anos... A verdade é que aos catorze anos nunca se pondera nada sobre nada, por isso é que não sabemos se gostamos da pessoa com quem partilhamos o título de casal, não sabemos de vale a pena continuar com a rotina de dar beijos a uma só pessoa.
Quando se começa uma relação aos vinte anos entra-se quase sempre de gatas ou de beicinho no chão. Não nos deixamos levar pelo amigo mais próximo... Com esta idade já sabemos distinguir um bom amigo para conversar de uma pessoa que queremos amar. Já só levamos a sério quem realmente nos amarra a atenção dos pés à cabeça.
Apesar de ser aos catorze que mais vezes usamos a palavra Amo-te, só nesta segunda fase é que sabemos amar. E sabemos que amamos...
E sabemos que amamos quando repetidamente nos rimos de uma memória de algo ridículo dito pela outra metade, quando ficamos inertes por sentirmos saudades, quando queremos explicar mil e um sentimentos e não sabemos expressar metade, quando começamos a meter a outra metade nas conversas tidas com outras pessoas...
"Mas o João tem...;o João sabe...; o João diz..."
Quando se entra realmente numa relação aos vinte, entra-se pé ante pé, com passinhos de bebé, à espera que o beicinho com que nos deixaram permaneça tempos e tempos. Queremos amar, queremos ter sempre presente uma recordação que nos derreta num momento de discussão ou nos anime num momento mais triste. Queremos ter ao nosso lado o alguém que corresponda os bons e os maus sentimentos. O alguém que nos abrace a meio da noite sem que esperássemos e faça dela mais uma em que vale a pena adormecer só para se acordar com a sensação que somos amados.
Aos catorze não interessa se vai haver um dia a mais de namoro. Aos vinte quer-se, por tudo, passar mais e mais tempo de mão dada.
Aos vinte quer-se realmente amar e ser amado.
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